sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Parabéns São Paulo?




Quantos já exaltaram a cidade que é considerada o coração econômico do país? Quantos chegam nesta cidade diariamente para buscar uma solução que não encontram nos seus locais de origem?

Ah, São Paulo! Caetano Veloso certa vez afirmou que alguma coisa acontecia no coração quando cruzava a Ipiranga com a São João, por outro lado, o pessoal do Premeditando o Breque dizia que era sempre lindo andar na cidade de São Paulo.

Realmente não vivi essa época, minha querida São Paulo.
Hoje, conheço poucas belezas da cidade. Talvez, seja bela a fila do Sopão no centro da cidade aumentando a cada dia, pois mostra a solidariedade de um povo. Talvez, seja encantador também, os movimentos que surgem na periferia da cidade como os garotos do Hip Hop ou os sambistas como os garotos do Quinteto em Branco e Preto que resumem bem a mistura das raças e a ligação entre as diversas áreas de sua cidade.

Mas, diariamente fico assustado e desiludido com você, São Paulo. Os assaltos cada vez mais freqüentes, o policial morto supostamente por colegas de profissão e até mesmo as buzinas cada vez mais diversificadas que poluem sonoramente a cidade são ridículas, São Paulo.

Ah, São Paulo! Assisti hoje o famoso bolo do Bixiga e fiquei perguntando se aquilo era festa em comemoração ao aniversário da cidade ou uma demonstração do desespero do povo por um pouco de comida, mostrando a miséria e a falta de educação de um povo iletrado. Abri a Internet e li também a respeito do Homem armado com uma faca que invadiu a catedral da Sé durante a missa. Que ridículo, São Paulo.

Qual a beleza, São Paulo? A vida noturna restrita para alguns poucos endinheirados ou a tão falada Avenida Paulista com seu trânsito, sua variedade e seu elitismo que não representa as ruas sem asfalto do Capão Redondo e outros bairros da periferia.

É São Paulo, cada vez você fica mais velha e suas amarguras e deslizes aumentam diariamente. Sobra sua solidariedade com alguns esperançosos, é verdade. Mas, a culpa não é só sua, São Paulo, mas sim de diversos fatores históricos que te levaram a este grau de degradação.
Então, parabéns minha velha por amanhecer trabalhando e saber que o paulista vai sempre “na sua” para o que der e vier como certa vez afirmou Billy Blanco. Parabéns São Paulo, se é que existe motivo para comemorar.


domingo, 20 de janeiro de 2008

Fala, play! Welcome to Brazil!!!


Meu nome não é Johnny já é um dos filmes que ficará marcado na história do cinema nacional como uma obra forte, engraçada, triste e acima de tudo polêmica em diversos aspectos.

A adaptação feita pelos roteiristas, Mauro Lima e Mariza Leão, do livro homônimo escrito por Guilherme Fiúza sobre João Guilherme Estrella, é a prova concreta de que é possível falar sobre o problema das drogas sem cair o tempo inteiro em lugares comuns.

Desde o inicio a atuação de Selton Mello e Cléo Pires chama a atenção. Mello, interpretando um jovem que nasce no conforto de uma família carioca de bom poder aquisitivo e que com o passar do tempo torna-se um traficante boa-vida até ser capturado pela polícia, mostra sua versatilidade e seu dom para a comédia. Cléo Pires, por sua vez, reafirma sua condição de grande atriz para a grande tela do cinema, assim como já havia feito em Benjami em 2004.

O mote do filme é comum, aliás, o problema das drogas entre os jovens é assunto cada vez mais recorrente na mídia. Não há limites para os nossos meninos e meninas e em todo canto há um baseado e um pó a disposição, é só saber chegar.

Mas, para quem acredita que somente o problema das drogas é abordado no filme, vale enfatizar que a crise na família e a corrupção policial, cada vez mais divulgada pela imprensa e exibida nas salas de cinema, nesta obra aparecem com uma suavidade cínica.

Aliás, não há nada melhor do que ver o cinema nacional embrulhando o estômago de todas as camadas sociais. Não há mais o Rio de Janeiro como cidade maravilhosa e nem o Brasil como o país do futuro. Talvez o sucesso e a beleza que ressurge no cinema nacional é a possibilidade de mostrar a todos, principalmente aos jovens e aos governantes nojentos e incompetentes que o país está praticamente fracassado.

João Guilherme Estrella existiu e ainda existe, hoje, após conhecer a cadeia e o fundo do poço ele tornou-se um produtor musical. Falei com ele outro dia, produzindo um programa da Rádio Record e fiz elogios ao filme, aproveitei no bate-papo e disse que levaria meu sobrinho de 15 anos para assistir.

A resposta de Estrella foi aquilo que eu esperava: Leva mesmo, meu irmão. Depois leva ele para comer alguma coisa e conversa com o moleque sobre o filme, falta isso na maioria das famílias.

O cinema nacional e suas inspirações são excelentes por tratarem de coisas reais. Aqui, não há homem virando monstro, nem meteoros invadindo a terra com extraterrenos alucinados. Aqui, não. Aqui, nossos roteiristas e diretores falam cada vez mais das mazelas de nosso país.

Viva o nosso cinema!!!
Viva o Estrella e salvem os nossos jovens e a nossa polícia!!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Aldeotas!!!



Se a palavra Aldeota advém de pequeno povoado, a peça, de Gero Camilo que leva o mesmo nome, remete o público a uma Aldeia global do que é a infância, com seus cheiros, brincadeiras e ilusões. É tal qual a frase de Antoine de Saint- Exupéry, autor do livro mais conhecido sobre infância, O pequeno príncipe, em que ele afirma que não pertence a país nenhum e, sim, ao país de sua infância.

Aldeotas é tudo isso. Um texto poético e filosófico que remete cada um dos presentes no teatro a lembrarem de alguma passagem da própria infância. Nostalgia comum na vida de cada pessoa como, a lembrança de um amigo que pensamos em rever, a necessidade de pensar sempre em uma grande mudança e a partida para algo desconhecido são temáticas colocadas no texto de Camilo, de forma suave e nem sempre cronológica.

Os dois personagens, Levi e Elias, são amigos de infância que se reencontram quando ambos completam 50 anos de idade. As memórias da infância são intercaladas a cada momento como um flash back e revividas com brincadeiras, tristezas e frustrações como acontece ou aconteceu na infância de cada um de nós.

As atuações de Gero Camilo, já bem conhecido por seus trabalhos em televisão e cinema, assim como de Caco Ciocler, também conhecido pelas telas globais, chamam a atenção do público ao criticar suavemente o preconceito existente em relação aos gays desde sua infância. Lógico que para quem não acompanha a carreira de Gero Camilo pode se surpreender com a beleza da interpretação e a força de seu texto.

Porém para aqueles que já se acostumaram a ver pessoas oriundas do teatro brilharem na televisão e em outros meios, sabem que o ator e o autor teatral trazem no seu repertório, na maioria das vezes, uma capacidade imensa de dialogar e refletir sobre a condição humana e suas angustias.
Aldetotas, de Gero Camilo, corrobora todas as coisas anteriores, com um belo texto e uma direção extremamente competente que não abusa de telões, nem exagerados efeitos sonoros como tem sido recorrente em diversos espetáculos. Aldeotas usa apenas o que há de mais belo na arte teatral: texto, ator, platéia e luz.